Atravessando uma noite escura sem manual

38 anos. Eu, quando era mais jovem, sabia que existia essa idade. Mas nunca tinha me aventurado a pensar sobre como seria, nem fiz exercícios mentais para tentar visualizar minha vida nesse patamar (como quando tinha 5 anos de idade e tentava me ver aos 10, quando achava que já seria "adulta").

E aí cheguei, caindo de pára-quedas, sem manual de instrução e bem desorientada. Não, minto: acabei encontrando manuais muito bons para entrar na fase. Os melhores são os que apresentam a vida sob um ponto de vista de jornada, ou de estrada. Uma estrada que usamos para chegar a alguns lugares marcados no mapa e trombamos em muitos que não estavam mapeados. Onde tomamos atalhos, encontramos subidas íngremes e descidas que podem machucar o joelho se formos rápido demais.

Alguns desses mapas que usei são livros como "Mulheres que correm com os lobos" (Clarissa Estés), ou então "A jornada da heroína" (Maureen Murdock), ou "Viagens interiores" (Bert Hellinger). Há mapas que são pessoas, grupos e professor@s que orientam parte da jornada em pontos pelos quais já passaram, lançam avisos preciosos.

Existem, entretanto, momentos em que nenhum mapa, por mais abrangente que seja, pode dar conta de determinadas situações.

É como se a jornada, em alguns pontos, exigisse que buscássemos nossos próprios recursos interiores para prosseguir. Quando a Esfinge nos faz a pergunta, não temos como googlar a resposta. São aqueles momentos em que tentamos conseguir ajuda externa e nenhum outro ser humano parece entender o que nos aflige. Nos livros, nos oráculos, em nossos próprios sonhos, encontramos respostas que nos parecem vagas demais, confusas demais.

Nessas horas é que surge a oportunidade única de retirarmos água de nossa própria fonte. Como disse alguém uma vez: a fonte não precisa perguntar pelo caminho.

O problema que encontrei neste ano foi justamente acessar a fonte. E o outro problema foi minha mania de duvidar das minhas próprias respostas.

Com tanto facebook e whatsapp e incapacidade de se desligar do trabalho ao chegar em casa, com tanto movimento, multidões e obrigações sociais e familiares, com tanto entretenimento saboroso e pouco nutritivo, fica complicado ser-se.

Neste momento, testo estratégias para acessar a mim mesma. Algumas estão funcionando muito bem, e pretendo compartilhar. Mas já posso adiantar: invariavelmente, todas passam por "limpar as antenas", abrir as portas da percepção (sem dorgas), sensibilizar-se. Passam por retirar, atravé sde práticas físicas e mentais, o entulho que naturalmente se acumula. Passam pela solidão periódica, porque toda jornada profunda é, fundamentalmente, solitária.

Por hoje, é isso.

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